A flacidez no rosto acontece porque, com o passar dos anos, a pele produz menos colágeno e elastina, e outras estruturas responsáveis pela sustentação e pelo contorno facial também se modificam. Cuidados diários ajudam a preservar a qualidade da pele, enquanto alguns tratamentos podem estimular a produção de colágeno e melhorar a firmeza. Entender o que está mudando é o primeiro passo para escolher o cuidado mais adequado para cada rosto.
Talvez você mantenha uma rotina de cuidados, use bons cosméticos, proteja a pele do sol e perceba que ela está saudável - mas, ainda assim, alguma coisa parece diferente.
O contorno já não é tão definido. As bochechas parecem menos sustentadas, a linha da mandíbula mudou, a papada ficou mais evidente. A região dos olhos também pode ganhar um aspecto diferente, com olheiras mais aparentes. E a pele parece mais fina ou menos firme.
Isso não significa que os cuidados deixaram de funcionar.
O que acontece é que o envelhecimento do rosto não se faz apenas na superfície da pele.
Ao longo dos anos, diferentes estruturas que dão forma, volume e sustentação ao rosto passam por transformações. A pele é uma delas, mas não é a única. Entender essas mudanças ajuda a compreender por que surgem a perda de firmeza, a flacidez e as alterações no contorno facial.
Mesmo uma pele bem cuidada passa por mudanças naturais com o tempo. Cuidar da pele ajuda a preservar sua qualidade e protegê-la do envelhecimento precoce, mas não interrompe o processo natural de envelhecimento.
A flacidez facial não tem uma causa única. Ela é resultado de um conjunto de transformações que acontecem em diferentes estruturas do rosto ao longo dos anos.
O envelhecimento facial é um processo complexo e individual: envolve mudanças na pele, na gordura facial, nos músculos e na estrutura óssea, que não acontecem necessariamente na mesma velocidade em todas as pessoas. Genética, exposição solar e hábitos de vida também influenciam como e quando essas mudanças se tornam perceptíveis.
O colágeno e a elastina fazem parte da estrutura que dá resistência e elasticidade à pele. Com o envelhecimento, essa rede se modifica: há fragmentação e perda de colágeno, alterações nas fibras elásticas e menor capacidade de renovação da matriz que sustenta a pele. O resultado pode ser uma pele mais fina, menos elástica e com menor firmeza.
A exposição acumulada ao sol também tem um papel importante. A radiação ultravioleta acelera a degradação de componentes da estrutura da pele, incluindo colágeno e elastina, contribuindo para o fotoenvelhecimento e para sinais como rugas, manchas e flacidez.
Abaixo da pele, outras transformações ajudam a explicar por que o rosto muda de forma e perde definição com o passar dos anos.
A gordura facial está distribuída em diferentes compartimentos, superficiais e profundos, que participam do volume e do contorno do rosto. Com o envelhecimento, esses compartimentos podem sofrer alterações de volume e distribuição. Ao mesmo tempo, a estrutura óssea da face passa por remodelações e outros tecidos também se modificam.
É a combinação dessas mudanças que pode contribuir para bochechas menos sustentadas, alterações na linha da mandíbula, maior evidência da região abaixo do queixo e mudanças ao redor dos olhos. O que muitas vezes percebemos simplesmente como “rosto caído” ou “flacidez no rosto” pode, portanto, envolver muito mais do que a pele.
Sonia Reimberg, especialista em Estética Facial e Cosmetologia
A flacidez no rosto pode ser **amenizada**, mas não existe uma forma de simplesmente reverter todas as mudanças que acontecem com o envelhecimento facial.
Como vimos, aquilo que percebemos como flacidez pode envolver diferentes estruturas do rosto. Por isso, o que pode ser melhorado - e em que medida - depende das características de cada pessoa, do grau de flacidez e das estruturas envolvidas.
Cuidados diários ajudam a preservar a qualidade da pele e a reduzir fatores que aceleram seu envelhecimento. Já alguns tratamentos podem atuar estimulando a produção e a remodelação de colágeno, contribuindo para melhorar a firmeza da pele.
Por isso, não existe uma única solução para a flacidez que funcione da mesma maneira para todos os rostos. A escolha do cuidado ou tratamento mais adequado começa pela avaliação do que mudou e do resultado que se deseja alcançar.
Melhorar a flacidez envolve primeiro entender o que se pretende tratar. Preservar a qualidade da pele, estimular colágeno e atuar sobre a perda de firmeza são objetivos relacionados, mas não são exatamente a mesma coisa.
Por isso, o cuidado com a flacidez pode envolver diferentes frentes, desde hábitos que ajudam a preservar a qualidade da pele até tratamentos que estimulam processos de renovação e produção de colágeno.
A proteção solar diária é uma das medidas mais importantes para prevenir o fotoenvelhecimento. A exposição à radiação ultravioleta contribui para a degradação do colágeno e da elastina e, ao longo do tempo, pode acelerar sinais como rugas, manchas e perda de firmeza.
Uma rotina adequada de cuidados também ajuda a preservar hidratação, textura e qualidade da pele. Dependendo das necessidades de cada pessoa, alguns ativos de uso tópico podem contribuir para melhorar sinais do envelhecimento e favorecer a renovação da pele.
Esses cuidados continuam importantes aos 40, 50, 60 anos e além.
Mas existe uma diferença entre preservar e melhorar a qualidade da pele e atuar sobre alterações de firmeza que envolvem outras profundidades dos tecidos.
Além dos cuidados diários, existem tratamentos estéticos que utilizam diferentes mecanismos para estimular processos de produção e remodelação de colágeno.
Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de estímulos térmicos, mecânicos ou da aplicação de substâncias específicas, dependendo do procedimento utilizado. Cada abordagem atua de maneira diferente e tem indicações próprias.
Quando a principal queixa é a flacidez, algumas tecnologias permitem levar energia de forma controlada a profundidades específicas dos tecidos da pele, estimulando uma resposta de remodelação de colágeno sem necessidade de cirurgia.
Enquanto os cuidados diários ajudam a preservar a qualidade da pele, alguns tratamentos estéticos são capazes de estimular colágeno em diferentes profundidades. O ultrassom microfocado (HIFU) é uma das tecnologias utilizadas com esse objetivo.
Não existe um único tratamento que possa ser considerado o melhor para todos os casos de flacidez facial.
Isso porque nem tudo o que percebemos como flacidez tem a mesma origem. Perda de firmeza da pele, alterações de volume, mudanças no contorno facial e rugas podem aparecer juntas, mas não necessariamente respondem aos mesmos tratamentos.
Por isso, a escolha depende de uma avaliação individual, capaz de identificar quais alterações estão presentes e quais delas podem, de fato, ser tratadas por cada técnica ou tecnologia.
Mais importante do que procurar o “melhor tratamento” é encontrar uma abordagem adequada às necessidades daquele rosto - e manter expectativas realistas sobre o que cada procedimento pode oferecer.
O HIFU utiliza energia de ultrassom focalizado para gerar pontos de aquecimento controlado em profundidades específicas dos tecidos, preservando a superfície da pele. Esse estímulo desencadeia uma resposta de reparação que inclui remodelação e formação de novo colágeno nas semanas e meses seguintes ao tratamento.
No rosto, o ultrassom microfocado é utilizado principalmente quando o objetivo é melhorar a firmeza e a flacidez leve a moderada de maneira não invasiva. Revisões da literatura apontam melhora no tensionamento da pele e mostram que os resultados tendem a acontecer progressivamente.
A possibilidade de atuar em profundidades específicas permite direcionar o estímulo de acordo com a região e com as estruturas que se pretende tratar. Por isso, mais do que pensar em “esticar” ou mudar o rosto, a proposta é estimular a remodelação do colágeno e favorecer uma melhora progressiva da firmeza, respeitando as características de cada pessoa.
Há ainda muitas dúvidas sobre o que fazer e como lidar com o processo natural de envelhecimento facial. A seguir, algumas das que mais recebo em meu espaço de atendimento.
O rosto que muda com o tempo não é um rosto que deixou de ser cuidado. É um rosto que, como todo o corpo, atravessa transformações.
Entender essas mudanças ajuda a olhar para a flacidez com menos pressa por uma solução única e com mais clareza sobre o que cada cuidado ou tratamento pode realmente oferecer.
Beleza se transforma com o tempo. Beleza se transforma com cuidado.
E a avaliação facial é o primeiro passo para um cuidado seguro.
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